Energia solar
Quanto a conta de luz cai de verdade com energia solar
Custo de disponibilidade, Fio B em 60% e a diferença entre quem consome de dia e quem consome à noite. Com a conta na mão.
- 7 de outubro de 2026
- Pedro H. S. Haag
Toda proposta de energia solar chega com um número grande de economia na primeira página. Depois o sistema entra em operação, a conta continua vindo, e o cliente liga perguntando o que deu errado.
Normalmente nada deu errado. O que acontece é que a conta de luz tem partes que o painel não alcança, e desde 2023 existe uma cobrança que cresce todo ano. Vale entender antes de assinar, não depois.
A conta nunca zera, e isso não é defeito do sistema
Mesmo gerando mais do que consome, você continua ligado na rede. E quem fica ligado paga um mínimo, chamado custo de disponibilidade:
- Ligação monofásica: o equivalente a 30 kWh por mês.
- Bifásica: 50 kWh.
- Trifásica: 100 kWh.
Some a isso a iluminação pública, cobrada pela prefeitura dentro da mesma fatura, e os impostos. Esse pedaço não desaparece. Quando alguém promete conta zero, está ignorando a parte da conta que não é energia.
O Fio B, explicado sem jargão
A Lei 14.300, de janeiro de 2022, organizou as regras da geração distribuída no Brasil. A mudança que pesa no bolso é o Fio B: uma cobrança pelo uso da rede.
A lógica é esta. Quando o seu sistema produz de mais ao meio-dia, o excedente vai para a rede da distribuidora e volta como crédito à noite. Nessa ida e volta você usou a estrutura da concessionária, os postes e os cabos, como se fosse uma bateria emprestada. O Fio B é o aluguel dessa bateria, e ele sobe ano a ano:
| Ano | Percentual do Fio B cobrado |
|---|---|
| 2023 | 15% |
| 2024 | 30% |
| 2025 | 45% |
| 2026 | 60% |
| 2027 | 75% |
| 2028 | 90% |
A partir de 2029 a Aneel define o modelo definitivo com base em estudo técnico. A lei não estabelece cobrança automática de 100%.
Por que consumir de dia mudou de importância
O detalhe que quase ninguém conta: a cobrança incide só sobre a energia que foi para a rede e voltou como crédito. A energia que você consome no mesmo instante em que o painel produz não passa por lugar nenhum, e por isso não paga Fio B.
Dois imóveis com o mesmo sistema e a mesma conta podem ter economias bem diferentes. Ganha mais quem usa energia durante o dia: indústria em turno diurno, comércio, escritório, câmara fria, irrigação.
Uma casa onde todo mundo sai às sete da manhã e volta às seis da tarde joga quase tudo para a rede e paga Fio B sobre quase tudo. Isso não inviabiliza o sistema, mas muda o dimensionamento e muda o cálculo do retorno.
Quem instalou antes continua na regra antiga
Quem protocolou o pedido de acesso até o início de janeiro de 2023 ficou com as regras anteriores garantidas até 2045. É direito adquirido, ligado àquela unidade consumidora. Se você está nessa situação, mexer no sistema exige cuidado para não perder a condição.
A tarifa sobe, e isso mexe nos dois lados
Em 2026 a Aneel aprovou reajuste médio de 12,11% para a Energisa Mato Grosso do Sul. Energia mais cara aumenta o valor de cada kWh que você deixa de comprar, o que melhora o retorno do sistema. Também encarece o Fio B, porque ele é um pedaço da própria tarifa.
Em cima disso entram as bandeiras tarifárias, que mudam mês a mês conforme a situação dos reservatórios. Qualquer projeção fechada em um número exato para os próximos dez anos é chute bem apresentado.
Como estimar sem depender da planilha do vendedor
- Junte doze meses de conta. Um mês só não diz nada: consumo de dezembro não é consumo de julho.
- Anote o consumo em kWh de cada mês e tire a média.
- Desconte o custo de disponibilidade da sua ligação. Esse pedaço vai continuar na conta.
- Separe quanto do consumo acontece durante o dia. Quanto maior essa fatia, melhor o resultado.
- Aplique o Fio B do ano sobre a parte que vai para a rede.
O que sobra é uma estimativa honesta. Vai ser menor do que o número da primeira página da proposta, e vai ser um número no qual você pode confiar para decidir.
O que a AEGIS faz, e o que não faz
A AEGIS projeta o sistema, dimensiona conforme o seu perfil de consumo, cuida da homologação junto à Energisa e executa a instalação. Também faz só a homologação, para quem já comprou o equipamento.
O que a AEGIS não faz é garantir um valor fixo de economia. Isso depende da sua tarifa, do seu perfil de uso e de regra que muda por lei. O que dá para garantir é um sistema dimensionado para o seu consumo real e um cálculo que você consegue conferir linha por linha.
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